19 de mar. de 2008

Just a Tale 3 -Final-

Caramba, trocentos problemas, verao turbulento, o pc estragando 2 vzs... Varios problemas... Volta as aulas... enfim, consegui arrumar o pc e demais assuntos da minha vidinha miseravel, agora consigo atualizar isso... vamos tocando o barco, daqui pra frente a coisa soh tende a melhorar XDDD

enfim, meu povo, desculpem a demora, mas estamos na ativa de novo... segue a ultima parte da minha historinha (q por sinal eu perdi e tive de reescrever tb ^^' )
*dica do dia: Escutem essa musica, enquanto lerem, se possivel: "Passing By", de Ulrich Schnauss*


-Saibam que nada do que eu disser eh novidade, mas tampouco usual de se perceber. A maioria das pessoas quando cresce se esquece de como tudo era antigamente. Crescer ou envelhecer eh necessário, desenvolver-se eh trivial, mas nenhuma destas duas coisas pode atropelar a vontade de relembrar... já pensaram pq as pessoas esquecem? O q há de errado hj em dia em ter lembranças... e valoriza-las...

-Desculpe -interveio a menina, completamente perdida-, mas eu nao to entendendo nada...

O velho calmamente respondeu:

- E enquanto nao entenderem serao crianças... este eh o ponto em que vcs devem se orgulhar... os adultos hj em dia soh sabem que devem ensinar seus filhos, e nao toleram tentar aprender mais nada... ainda mais algo que uma criança tenha pra ensinar... estas coisas que vcs estao vendo... sao praticamente minhas lembranças...

Mostrando os itens, os olhos das crianças arregalaram-se. Já tinham ouvido as historias de seus pais... aquilo que haviam dito, sobre o velho andar sempre agarrado com "pedaços de lixo"... o que elas nao sabiam era que o frasco arranhado era o presente de sua filha, a "foto na areia", e a caixa velha continha o relógio de corda, ainda funcional, guardados de forma simples, mas com todo carinho, pelo velho.

-Talvez ja tenham ouvido falar de uma historia, de que no dia do incendio eu enlouqueci... Entrei na casa, fogo adentro, e sai com as roupas chamuscadas, carregando um balde com um pano por cima... Ja ouviram isso?

A menina prontamente respondeu:

-Sim, foi o que nossos pais nos contaram, e ouvimos na escola tb...

-... Esta eh a historia que lhes contaram... o que nao lhes contaram eh que naquele balde estavam essas coisas, estas memorias... meus ultimos elos com minha família... imaginem, que tipo de louco entra numa casa em chamas pra retirar um balde? Percebem o que acontece?

As crianças estavam começando a entender.

-Todos disseram a mesma coisa... nao vale a pena arriscar a vida por um balde... ou, na minha versao da historia, que talvez apenas vcs venham a saber... realmente nao vale, por um balde... mas sim por algo que lhe pertence... Acham errado eu ter arriscado minha vida por minhas memórias?

As crianças sequer se moveram... a realidade as tinha atingido.

-Nao importa o q pensem ou digam de mim, isso em minhas maos eh minha ponte de salvaçao... Nada pode ter mais valor do que as coisas as quais vc sente valor, nada pode tirar isso de vcs... Isso eu deixo como aviso a voces... Orgulhem-se pelo que vcs tem o privilegio de viver e lembrar, protejam este patrimonio, nao deixem que a idade as destrua, nao deixe que tirem de vcs a alegria da vida... Hj, meus entes queridos estao longe de mim, mas este eh o laço que me restou...

Silencio... as crianças finalmente viam uma expressao de dor nos olhos lacrimosos do velho...

-... Aquilo que eh importante pra vcs... tudo o que eh importante pra vcs, mesmo longe ou perto, sonho ou realidade, eh de vcs, e ninguem nem nada pode provar o contrario... Por isso desisti dos outros, esta eh minha vida, estas sao minhas decisões, minhas ternas cordas que me levam aonde eu quero estar.. em imaginaçao... esta colina foi minha resposta... minha filha adorava montes gramados, locais de beleza, com flores e borboletas... minha esposa veio do mar, viveu pelo mar e ao mar retornou... aqui em cima eu vejo traços delas... vejo as ondas, vejo a grama tremular no vento, vejo passaros que cantam no ar sobre o mar e a grama, vejo boboletas, que minha filha via pousar nas flores, que aqui nao faltam... cada canto deste lugar eh um sorriso que se abre pra mim... cada onda parece ter o toque de minha esposa, e cada nuvem pode ter sido moldada por minha filha... E nada tem mais valor que isso... Isso, em realidade, eh felicidade pra mim... nao preciso de mais nada...

Ao terminar o velho percebeu um sorriso no rosto das crianças... Era um sorriso leve, mas era um sorriso... Ambas sabiam que agora tinham um laço de afeto forjado com lagrimas, delas e do velho.

A partir daquele dia em diante, tornou-se constante a visita das crianças para com o velho... passavam tardes inteiras as vzs escutando suas historias, contando historias, criando suas proprias lembranças... Já nao viam necessidade de temer nem o velho, nem suas palavras. Aquilo que elas guardavam com elas seria eterno, isso elas sabiam, assim como eterno era o amor q o velho sentia, e eterno seria o tempo para sempre, quando reencontrasse sua familia, muitos anos depois.


Assim o velho se foi, sob o peso da idade... Mas seu legado permanece vivo, naquelas crianças que tiveram a chance de escutar a voz da vida atraves dele... Enterraram-no naquele mesmo monte, a pedido dos agora adolescentes, numa cerimonia simples, onde apenas eles tinham lagrimas pelo velho...

Hj, contam eles as mesmas historias a seus filhos... Nao a historia de um pobre louco, sem futuro... Mas sim a historia de um homem, com um passado rico... Sabiam, que finalmente, o homem tinha atingido suas lembranças...
O frasco e o relogio, agora repousam em uma estante, herança daquele que um dia percebeu que soh se descobre que o ceu eh azul se se sabe olhar pra cima...




até daqui a uns dias, pessoas ^^/

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